BRAZILIAN STORM DO MTB

Novíssima geração chegando forte

Em 2011 a imprensa internacional do surfe cunhou o termo “Brazilian Storm” para se referir a nova geração de surfistas brasileiros que, literalmente, tomaram de assalto o cenário do surfe mundial, como uma verdadeira tempestade tropical. Nunca antes, o surfe brasileiro havia conseguido tantos resultados e expressividade neste popular esporte.

Hoje, estamos pegando emprestado essa expressão, Brazilian Storm, para um outro esporte, o Mountain Bike. Queremos falar sobre o momento dos nossos ciclistas de MTB, ou melhor, a nova geração de atletas brasileiros que começa a se destacar no cenário mundial deste esporte. Todos sabemos das dificuldades de ser atleta no Brasil. Partindo desse princípio, adicione também o fato de que bicicleta, ou ciclismo, não é um dos mais populares esportes por aqui. Temos aí, dificuldades em dobro. Diferentemente do esporte da prancha, o nosso mercado da bike não tem uma indústria tão massificada como a de surfwear, por exemplo. Muito menos sua popularidade: o surfe tem um apelo muito forte para os jovens, é um esporte de alta plasticidade, de ação e visual impactante. Tem excelente cobertura da mídia, transmissão streaming ao vivo de suas principais competições e, por fim, é fácil de assistir: basta ir à praia...

Mesmo com tantos fatores positivos, os surfistas brasileiros das décadas de 80 e 90 não conseguiam muito destaque no circuito mundial, dominado totalmente por americanos, australianos, sul-africanos e havaianos. Porém, com investimentos das principais marcas, estrutura para que pudessem viajar e competir cada vez mais com os surfistas ‘gringos’, os brasileiros começaram a mudar esse panorama. Aos poucos esses brazucas começaram a dar muito trabalho aos gringos, até que a geração de Gabriel Medina, Filipe Toledo e cia, começou a desmontar o velho status quo do domínio estrangeiro. E o Brasil conquistou por 2 vezes, o tão sonhado título mundial no surf, com Medina e Minenirinho.  Chegou a era do Brazilian Storm. Hoje Medina, Toledo, Caio Ibelli, Miguel Pupo, entre outros, estão entre os top surfistas do mundo. Eles são a tempestade dentro d’água.

No mountain bike, a história parece querer se repetir, para a felicidade de todos os fãs brasileiros do esporte! Mesmo com pouco investimento (se comparado ao surf, por exemplo), incentivo, visibilidade e popularidade, vemos uma nova geração de ciclistas forjados nas trilhas das montanhas brasileiras, talentosos e fortes, liderados por Henrique Avancini (Cannondale Factory Racing), Raíza Goulão (PMRA Racing Team) e Luiz Henrique Cocuzzi (Lar/Scott). Jovens ciclistas que não apenas estão dando muito trabalho lá fora conquistando resultados inéditos, como também vem inspirando novos talentos. Na esteira deles, vendo-os como exemplo de que é possível competir em nível mundial com os melhores mountainbikers do mundo, uma geração mais nova está sendo melhor preparada, espelhando-se na experiência obtida por estes atletas citados acima. Quem sabe com a atenção adequada, o apoio e suporte necessários, estes jovens talentos como Pedro Lage e Edson Rezende (Caloi Avancini Team), Giuliana Morgen e Mário Couto (Sense Factory Racing), Érick Brusque e Bruna Elias (Specialized Racing BR), Karen Olímpio (Squadra Oggi) e Larissa Brasa (Brasa Bike), consolidem a tempestade brasileira no Mountain Bike. Estes, são apenas alguns dos nomes para torcermos e observarmos melhor de agora em diante. E é bom mencionar também a jovem Luíza Cocuzzi, irmã mais nova do campeão brasileiro e pan-americano 2018, Luiz Henrique Cocuzzi. Vale ficar de olho nessa pequena promessa.

Mas uma coisa é certa: temos muito chão pela frente e essa tempestade tropical brasileira tem tudo para chegar muito longe ainda.

Em breve, mais um artigo Brazilian Storm no MTB!